já criei diversas vezes os diálogos que eu teria com você, as vezes sou bem emotivo e empático, outras sou bem agressivo e deixo a raiva dominar meu corpo, mas o último diálogo que tivemos eu fui bem indiferente, indiferentes com nossas lembranças, nosso relacionamento e sexo. não sei, mas talvez eu realmente seja um resultado de grandes decepções somadas, eu me assusto com a minha falta de apego e as vezes eu quero sumir, de fato sumir seria uma alternativa, mas não seria justo com tudo o que eu já construir em volta de mim e chego a me perguntar quem vai habitar essas minhas casas, alguém vai fazer a diferença, alguém vai colocar o lixo pra fora nas segundas ? ou nada disso importa ?
Oi, Renato. Eu sei que há muito tempo não temos nada a dizer um pro outro, mas, hoje, no caminho pro interior, conheci alguém com o tom de voz idêntico ao teu e me lembrei do dia que me disseste que “solidão é uma coisa que não se pede”. Então resolvi compartilhar - sem muita certeza - um fato súbito que me veio enquanto me masturbava forçando aquele som mimético no meu ouvido: “é impossível se livrar da saudade".
Guilherme Oliveira.




